sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Nem tudo muda.

Caramba,dois meses sem postar...nesse meio tempo,Obama ganhou o Nobel da Paz,os militares tomaram o poder em Honduras e minha irmã de nove anos aprendeu a resolver funções do primeiro grau. Muita coisa mudou,menos a capacidade do meu computador. Agora,meu monitor me mostra apenas 16 cores,e isso quando está com boa vontade.

Claro que existem outras coisas que não mudam,como a produtividade dos nossos senadores e deputados,que aprovaram essa semana um projeto de lei que impede a saída de menores de idade para jogarem em times de futebol de outros países. Enquanto isso,o projeto de lei sobre a castração química dos estupradores,aquele outro sobre adoção por casais gays e ainda aquele sobre casamento gay continuam engavetados.

As pessoas também continuam com uma espécie de fixação por profecias apocalípticas. Depois do fracasso dos Testemunhas de Jeová,que previram o fim do mundo para 1914,e do senso comum,que marcou 2000 como ano da destruição do nosso planeta,é a vez dos Maias e do bom e velho Nostradamus. Ambos disseram que seríamos varridos do Universo por volta do final de 2012.

Aí então a Sony aproveitou,fez um filme que se passa nessa "suposta" destruição do mundo,da qual,no final,o mocinho se salva,como sempre,e apostou no que é a nova onda no que se trata de divulgações de filmes: marketing viral. Criaram um site de uma suposta organização chamada Instituto da Continuidade Humana,que previa inúmeras catástrofes para o ano de 2012,dentre elas o choque com um planeta extrassolar. Quem se lascou com essa história toda foram os cientistas da NASA,que receberam mais de 30 mil e-mails perguntando se o fim dos tempos era realmenete iminente. É uma publicidade válida,mas é só lembrar que por menos que isso milhares de adolescentes suicidaram-se nas vésperas do ano 2000 e no ano passado,quando o LHC foi ativado.

Ah,eu também não mudei tanto. Continuo baixinho,chatinho e sem graça. E sem compromisso nenhum com essas coisas virtuais.

sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

A Internet,essa terra de ninguém...

Nunca tive dificuldades em ver o grande potencial da Internet como meio de comunicação. Lembro que aos 7 anos,quando comecei a entender como funcionavam os chats online,perguntei a minha mãe porque alguém não fazia um tipo de chat que funcionasse como os telefone,em que se fala com uma pessoa de cada vez. Pois é,se eu tivesse a mãe certa,hoje a Microsoft me pagaria royalties a cada versão do Live Messenger que lançasse. Agora uma coisa que nunca me entrou direito na cabeça foi a tal história de que o blogueiro é um tipo de jornalista moderno.

Okay,acho que não expus direito meu jeito de pensar. O que eu,de fato,não consigo entender é o excesso de valor dado a opinião de algumas pessoas. Porque,sério,com esse papo de "você pode ser um jornalista underground,basta ter um blog",milhares de idiotas com opiniões formadas por terceiros,e que dominam o português com a mesma maestria com que Schwarzenegger domina o inglês,começaram a escrever crônicas a torto e a direito como se fossem o próprio Contardo Caligaris. Quando comecei a ver a coisa desse jeito,fiquei com um pouco de nojo de mim mesmo. Mas cheguei à conclusão que me diferencio dessas pessoas. Afinal, isso se baseia na lei básica do mundo que vivemos,a lei da oferta e da procura. E,nesse caso,o exagero na oferta chama muita atenção.

Eu conhecia uma pessoa,cuja identidade será mantida em segredo,que sempre que atualizava seu blog mandava um daqueles recados automáticos,que enchem o coração do destinatário de ódio e rancor,para todos os seus amigos do Orkut. Claro que no quinto recado todo o respeito e consideração que eu podia nutrir pela pessoa já tinham ido embora e a exclusão foi inevitável,mas essa situação levanta uma questão: será mesmo que essa pessoa se leva tão a sério a ponto de acha que sua opinião tem tamanha importância na vida alheia? Porque pra fazer algo assim ela,no mínimo,devia achar que nêgo ia entrar em depressão caso perdesse a atualização do seu cantinho virtual(sic). Essa situação é só um exemplo desses blogs com conteúdo extremamente pessoal e clichê,cuja procura é pequena mas a oferta e a divulgação são massivas.

Meu blog é bastante pessoal? Sim. Lutei muito contra isso,mas terminei por ceder. Os blogs que leio são pessoais? Grande parte. E me sinto bastante próximo dos blogueiros que leio,mesmo daqueles com quem nunca falei. Ao meu ver,quando você se dispõe a saber a opinião de alguém sobre algo,seja lá sobre o que for,você estreita sua relação com ela de uma maneira singular,afinal,ao contrário da figura que eu citei antes,você acha a opinião daquela pessoa importante,não é ela que julga que a opinião dela tem extrema importância na sua vida. Eu mesmo,posto minhas besteiras,minhas opiniões aqui e pronto. Coloquei o endereço do blog no perfil do Orkut porquê alguns conhecidos que vivem acessando PCs alheios me pediram. E é basicamente isso: escrevo para ser digno da importância que essas pessoas,pouco mais de vinte,dão à minha opinião e,consequentemente,à minha pessoa. Se uma pessoa quer que sua opinião seja considerada mais importante tem que fazer algo notável na vida pra conquistar um pouco mais de valor.

E depois de três parágrafos falando dos blogueiros miguxos,eu assumo: queria mesmo era estar no show em homenagem aos vinte anos da morte de Raul Seixas. Desculpem a decepção,sei que esperavam alguma justificativa nobre para tantas palavras proferidas contra pequenos favelados com seus computadores comprados em promoção e opiniões formadas pelo Datena e por alguns escritores hypados,mas é que não há nada melhor para descarregar frustrações do que xingar seres inferiores.

terça-feira, 21 de Julho de 2009

Hipóteses aleatórias e sem sentido que tornariam minha vida mais digna.

Eu realmente não acredito nessa ideia de que existe algo ou alguém que regula o Universo. Mas,dependendo do meu humor,às vezes a ideia de que esse elemento regulador existe,me odeia e faz o possível e impossível para me prejudicar,ronda a minha cabeça e até faz um pouco de sentido durante uma fração de segundo. Isso acontece,por exemplo,quando eu visualizo a realidade da minha vida: pobre,sem talento algum e,o pior de tudo,sem nenhuma identificação específica com nenhum grupo. Porque até os dois primeiros elementos são digeríveis desde que o terceiro exista.

Eu podia ser pobre,sem talento algum e ser,vejamos,dono de um sobrenome tradicional de alguma dessas famílias falidas. Minha realidade financeira não seria muito diferente,mas pelo menos eu faria parte de um grupo de pequenos idiotas metidos a fodões,também portadores de sobrenomes outrora respeitados,com o qual me reuniria afim de torcer pela queda das outras famílias tradicionais,maldizer os neo-ricos,esses desgraçados favelados que ficaram ricos depois de fazer um curso técnico,conseguir um empego no pólo petroquímico e investir bem os altos salários que recebem em troca de fazerem um trabalho um pouco arriscado,e,claro,xingar os fodidos que andam pela cidade com roupas da moda para ostentar uma realidade financeira inexistente;ostentação essa,aliás,que só lhes é permitida graças ao contrabando e a aprimoração da arte de falsificar pelos paraguaios,coreanos e chineses.

Ou então eu podia ser um desses instrumentistas medíocres,que aprendeu a tocar na marra e fica se gabando por aí porque faz parte de uma bandinha de rock. Veja bem,eu saliento,um desses instrumentistas medíocres,nada de muito talento ou muita virtuosidade. Isso me traria certos problemas,mas pelo menos eu beberia muito e me sentiria feliz no mínimo duas vezes por semana. Isso sem contar com as groupies,o sexo casual e irresponsável e as ocasionais trocas de murros com metaleiros. Dispenso a parte da possível morte prematura,overdoses e comas alcólicos,o intuito deste post é demonstrar o quaõ miserável e desprovida de sentido é a minha existência,então ignoremos os contras das possibilidades por mim citadas.

Também há uma longínqua e remota hipótese que me apareceu agora,afinal nada é impossível. Eu podia muito bem ser um desses pseudointelectualóides de merda,que fala cinco idiomas,tem em casa toda a obra dos principais filósofos da antiguidade e da modernidade,que brada aos quatro ventos contra a sociedade contemporânea e,ao mesmo tempo,não se imagina vivendo sem a Internet. Daqueles bem chatos,metidos a marxistas,que se acostumou a fazer sexo uma vez por ano,preferencialmente após algum encontro de alguma congregação de intelectualóides,como a União Nacional dos Estudantes ou a União da Juventude Socialista,com alguma daquelas gurias que acabou de entrar na puberdade e foi levada pra lá por algum outro pseudomilitante que abandonou-a depois de uma rapidinha ou com alguma militante que está fora de si devido a grande quantidade de ____________ [insira no espaço o nome da droga ilícita que lhe soar melhor] que ingeriu.

Uma outra,não tão longínqua e remota,era a de eu ser um negro,ativista da causa negra,defensor das cotas raciais,filho de santo e o caralho a quatro. Eu poderia ser um líder de algum movimento ou não,mas iria,com certeza,ser alvo da admiração de algumas pessoas. Iria transformar toda e qualquer discussão a respeito da realidade do negro no Brasil em um discurso inflamado sobre a história de exploração e descriminação dos mesmos durante a história e de como,por isso,a cultura africana deve ser respeitada e amplamente divulgada. Pelo menos,a essa altura da vida,eu não estaria me sacrificando indo a um curso pré-vestibular pois já teria ingressado na universidade federal através das cotas.

Mas não. Eu sou pobre,não tenho talento algum e não faço parte de nenhum grupo étnico,ideológico ou financeiro. E,nesse momento,eu realmente gostaria de acreditar em deus. Pelo menos eu teria a quem culpar.

segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Ocupando espaço.

Não sou um ancião,não tenho muita experiência em ramo algum. Mas eu consigo reconhecer uma mudança quando esta se aproxima. E posso afirmar,sem medo de errar: estou próximo de uma. Não sei se pra melhor ou pra pior,mas sei que vai rolar...

Post curto,mas é só mesmo pra não dizerem que larguei isso aqui ao vento.
See ya ;D

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Uma vida notável

O assunto que mais me mete medo desde sempre foi a morte. A idéia de que tudo que vivemos é passageiro sempre me assustou deveras e por isso sempre me forçava a acreditar na vida após a morte. Alma imortal,reencarnação,paraíso-inferno,dimensões paralelas,matrix,whatever: se a teoria desse espaço para uma continuação da nossa existência terrena,não importa como,ela era considerada séria por mim. Só que,felizmente,o caminhar da idade,o amadurecimento intelectual e a aquisição de conhecimento,empírico ou não,me fez temer menos a morte. Meu medo maior,como já relatado aqui,passou a ser o de ter uma passagem medíocre pela Terra.

Sempre pensei nos inúmeros momentos históricos,nas infinitas possibilidades de tramas que já se desenrolaram pelo planeta e na quantidade de heróis,mártires,enfim,de pessoas admiráveis das quais não lemos a respeito na escola. Eis então que recentemente,durante a leitura de "O Mundo Assombrado Pelos Demônios",livro excelente de Carl Sagan sobre o qual serei obrigado a escrever algo aqui em breve,encontrei relatos de inúmeras dessas personalidades notáveis.

Uma delas,a que me fez correr até o computador agora,quando eu já estava na cama,foi Linus Pauling. Pauling ganhou o Prêmio Nobel de Química em 1954 pelas suas aplicações da Mecânica Quântica para explicar a natureza das ligações químicas que reúnem os átomos em moléculas. Depois disso,identificou a causa da anemia falciforme como a substituição de um nucleotídeo na sequência do DNA e mostrou como se pode ler a história evolutiva da vida comparando os DNAs de vários organismos. Foi um dos primeiros pesquisadores a respeito da aplicação e da eficiência da vitamina C no nosso organismo,tópico no qual até hoje não se chegou em um consenso. Se dedicou bastante também às questões éticas do uso da ciência,sendo um dos principais responsáveis pelo Tratado Limitado de Interdição de Testes,que acabou com a explosão de armas nucleares acima do solo realizadas pelos EUA,URSS e Reino Unido. Graças a isso,ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1962. E quando questionado,certo vez,sobre o que o motivava a trabalhar sem parar,fosse nas questões experimentais ou éticas,ele respondeu: "Eu fiz tudo isso para ser digno do respeito da minha mulher". Sua mulher,Ava Helen Pauling,era uma ativista ferrenha dos direitos das mulheres e da paz,dentre outras causas nobres. Não sei se ele se tornou digno do respeito dela,mas do meu sim,com toda certeza.

Tudo isso citado no parágrafo anterior é apenas um resumo dos "principais" feitos de Linus Pauling. E,sinceramente,saber que existiram pessoas formidáveis,que peitaram governos poderosos,que enfrentaram a descrença com o único objetivo de melhorar o mundo funciona como um sopor de ar fresco em meio a inúmeros exemplos de pessoas que fazem exatamente o contrário,usando o seu poder e/ou influência para fins próprios,mesmo que isso custe a degradação mundial,seja ela física ou moral. Dispenso os Prêmios Nobel,mas se eu conseguir tornar o mundo um lugar um pouquinho melhor que seja,já morrerei com a certeza do dever cumprido. E,talvez,quem sabe,no futuro eu seja mencionado no blog de um garoto que também planeja mudar o mundo pouco...

Linus e Ava Pauling,em foto tirada em 1992